Quem quer ser um milionário? | Fábula irregular

4 abr

Quem quer ser um milionário? traz a história de Jamal, um rapaz favelado que participa de um programa de perguntas e respostas, tipo “Show do milhão”, para reencontrar um grande amor, a bela Latika. Só que ele acaba acertando as respostas, o que leva o apresentador canastrão a acreditar que ele estivesse trapaceando. Na delegacia, é torturado e interrogado e, durante o depoimento, descobrimos como ele chega a pergunta que valia 20 milhões de rúpias e que o tornaria o favelado milionário do título.

Cachorro favelado milionário

O filme de Danny Boyle pode lembrar Cidade de Deus, de Fernando Meirelles, pois é impossível não comparar, por exemplo, a trajetória de Salim, o irmão do protagonista, com a de Zé Pequeno. Também a fotografia e a edição em muito lembram o trabalho feito no filme brasileiro, o que pode ser conferido já nos primeiros 10 minutos.

O problema de Slumdog millionaire está no roteiro, que é bastante irregular. Apela ao melodrama nas cenas protagnizadas pelo casal principal, mas traz cenas antológicas (e hilárias) como a que Jamal cai em uma poça de fezes só para pegar um autógrafo do seu ídolo. Mesmo longe da estética carnavalesca de Bollywood, Slumdog millionaire não se aprofunda em questões sociais ao optar por uma linguagem mais poética. O filme passa, sem discussões, pela exclusão social, exploração de menores e o conflitos entre muçulmanos e hindus, para não se comprometer. Da mesma forma, viaja pelos lugares mais conhecidos da Índia, como o Taj Mahal, as favelas de Mumbai e o rio Ganges, construindo um retrato um tanto estereotipado do país.

Homenagem à Bollywood

Por outro lado, a edição de Chris Dickens consegue driblar algumas armadilhas do roteiro, dissolvendo os flashbacks que mostram como Jamal sabia as respostas para as perguntas do programa e assim evita deixar a narrativa engessada. Porém, o roteirista Simon Beaufoy opta, a partir de determinado momento, não entrar em detalhes sobre algumas justificativas. Quando o irmão lhe mostra um revólver Colt ou quando as crianças são obrigadas a cantar uma canção popular na Índia para Maman, o explorador de menores, temos que engolir que isso é o suficiente para que Jamal saiba quem inventou o revólver ou quem é o autor da cantiga.

Ao contrário de Meirelles, Boyle nos proporciona uma narrativa mais leve e despretensiosa, e por isso, apenas simpática.

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