Raiva | O primeiro filme de terror israelense

17 nov

Raiva (Kalevet, no original) é vendido como o primeiro filme de terror feito em Israel. Dirigido pela dupla Aharon Keshales e Navot Papushado (que, além de realizarem seu primeiro trabalho em longas, também assumem as funções de roteiristas e editores), esse primeiro esforço no terror tenta brincar com as estruturas e clichês de um subgênero que acabou se tornando bem americano: o slasher film.

Caracterizado basicamente por investir mais em sustos do que na criação de uma atmosfera de terror e por apresentar um assassino que, progressivamente, vai diminuindo o elenco até restarem dois ou três personagens até ser morto (ou quase) pela heroina (ou pelo interesse amoroso dela, quase nunca uma terceira opção), o slasher film foi muito produzido nos Estados Unidos e praticamente esgotou suas variantes artísticas no decorrer dos anos 80 e 90. Curiosamente, o que deveria ser o golpe de misericórdia no subgênero (o filme Pânico de 96, que incorporava as “regras do gênero” de forma sarcástica) acabou, por essas ironias do mercado, reavivando esse tipo de filme.

A verdade é que não há muito para onde ir dentro dessa estrutura. E o sucesso de um slasher acaba sendo medido pelo potencial icônico de seu assassino e pela criatividade na encenação das mortes.

Raiva claramente tenta dialogar com o que o público espera de um slasher, para então desarmar o espectador e levar a trama para outro lugar. Como parte da brincadeira proposta pelo filme envolve o inesperado, tentarei ser breve na descrição da sinopse. Os cinco primeiros minutos contam basicamente o seguinte: um casal de irmãos foge de casa por conta do relacionamento incestuoso que eles mantêm. Durante a fuga, eles passam por uma reserva florestal e a irmã acaba caindo em uma armadilha para animais. Enquanto o irmão sai para buscar ajuda, a irmã cai nas mãos de um psicopata. A busca por ajuda acaba trazendo para a história um grupo de jovens riquinhos, uma dupla de policiais desonestos e um caçador e sua esposa grávida.

A esperteza dos diretores aqui é criar um ambiente onde qualquer coisa pode acontecer. Você tem esse grupo de personagens com backgrounds diferentes e as relações que eles vão formando no decorrer do filme se tornam cada vez mais tensas e complicadas. A forma como a tensão entre os personagens vai aumentando traz uma boa carga de humor negro por conta do ridículo de algumas situações, em uma clássica estrutura quid pro quo.

Raiva é uma revolução no gênero? Longe disso, mas é um filme bem divertido dentro do que se pretende. O filme adiciona algum simbolismo maior à trama? Até tenta, mas nada muito substancial: até dá para dizer que o psicopata tem fisionomia árabe, o que daria algum peso político à trama, mas nada nesse sentido é mais do que apenas sugerido.

De qualquer forma, é como se no fim os diretores dissessem: “Essa é a forma como um slasher film pode funcionar em Israel, um país onde vários grupos se desentendem muitas vezes por questões mesquinhas e onde o ‘Mal’ nem sempre é o elemento externo”.

Veja também:

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4 Respostas to “Raiva | O primeiro filme de terror israelense”

  1. Marcus Cramer sexta-feira, novembro 18, 2011 às 20:10 #

    Parece que eu vi outro filme. Não fiz essa leitura de brincadeira com os slashers e achei tudo muito, muito ruim. Adoro filmes de terror, slashers etc., talvez se tivesse levado menos a sério, teria me divertido mais.

    E essa observação que você fez no último parágrafo até faz sentido, mas duvido muito que tenha sido a intenção desses realizadores. hahaha

    • Raphael Fontenelle sábado, novembro 19, 2011 às 15:02 #

      Pois é Marcus. É sempre difícil falar sobre intenções.

      Particularmente acho que a vontade de brincar com o gênero e esse pequeno “simbolismo” que citei, estão lá pelo menos em esboço. Principalmente pelo que é feito com o personagem do ‘psicopata’.

      Realmente o filme não é grandes coisas. Só um divertimento mediano.

      abs!

  2. Joice sábado, novembro 19, 2011 às 08:35 #

    Legal cntar o final do filme sem avisar, [EDITADO]

    • Raphael Fontenelle sábado, novembro 19, 2011 às 15:32 #

      Joice,

      gostaria que você me contasse o final do filme, se baseando no que escrevi.

      Como gente grande dessa vez.

      abs.

      OBS: Você pode discordar o quanto quiser, mas seja civilizada. Insultos não têm espaço por aqui.

      Todos os comentários do blog são moderados. Jogamos no lixo aqueles que se esquecem das regras de bom convívio social.

      Não é prática desse blog editar comentários. Nunca fizemos e espero não precisarmos mais fazer. Mas, nesse caso, achei que a primeira parte tinha uma questão válida e gostaria de esclarecer que nada substancial do filme foi revelado.

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